Les Amours Imaginaires (2010)


Les amours imaginaires (2010)
[Amores Imaginários]
Diretor:  Xavier Dolan 

 
- pelo leitor Guilherme Martins
Frases longas, pensamentos anacrônicos e uma vasta depressão humana jazem no novo filme do produtor e também ator Xavier Dolan (apenas 22 anos), na qual se intitula "Amores imaginários".
Neste, ele abandona seus conflitos adolescentes com sua mãe em J'ai tué ma mère ("Eu matei a minha mãe") para mergulhar em áreas conflituosas sobre as relações humanas adultas.

Não digo que "Les Amours Imaginaires" conte uma história, conta sim uma sucessão de fatos sociais, no sentido sociológico mesmo da palavra. Bem, exemplificando, ele traz à tona o desmoronamento das "instituições imaginárias" -dos amores idealizados, das amizades indestrutíveis- de uma linha progressiva de acontecimentos que sempre perpassa desde à negação, passando pelo fascínio e platonismo romântico até o ódio, sublinhando e visando a parte mais frágil dos personagens que o compõe.

É um longa que atua como um remédio, dependendo de quem o ingerir o resultado poderá ser benéfico ou não.  Deixando bem claro, por ser um filme essencialmente subjetivo -aliás, o que não é subjetivo se tratando de coisas tão pessoais como sentimentos- é necessária uma interpretação das falas, dos diálogos, e principalmente dos depoimentos ao longo da obra, estes se confundem junto ao filme e possuem uma grande profundidade.

O longa possuí uma vasta gama de referências filmográficas e literárias, passando pelos clássicos de Audrey Hepburn ("Bonequinha de Luxo"), "Sodomia", Glenn Close ("Atração Fatal") até os cinemas independentes japoneses, que de acordo com Dolan, foi fundamental na composição do filme. Na parte literária conta com frases de "Alfred de Musset" e "Gijón", figuras importantes do movimento romancista do século 19 na França.


O cenário se mostra ideal, ele mistura o glamour francês com a contemporaneidade americana, na qual somente poderíamos encontrar na parte francesa do Canadá.

Os pontos fortes do filme são: A atuação de Monia Chokrin (Marie), ela de longe é a cara do filme, suas expressões faciais, suas gesticulações, sua inquietação emocional e principalmente a sua obsessão com seus cigarros a tornaram o ponto alto de um filme de temática homossexual, o que é uma grande ironia! A personagem de Monia, Marie, consegue ser várias personagens sendo apenas uma personagem a credenciando a ser uma das revelações do Festival de cinema de Cannes no ano de exibição do filme e por vários críticos cinematográficos. A trilha sonora se encaixa perfeitamente ao longo do filme, as músicas "Bang Bang", "Pass This On" e "Exactement" evidenciam momentos distintos de altos e baixos do filme.

O grande ponto fraco da trama é a atuação de Xavier Dolan, o também produtor do filme, deveria ter ficado somente com a segunda parte, seu personagem Francis, apesar de compor o triângulo amoroso com Marie e Nicolas, se mostra apático, apagado, sendo mais interessante sua incessante disputa com Marie do que sua história particular sobre seus sentimentos, sua obsessão e suas marcas de rejeição, que afinal, ninguém entende o porquê.


O último elo do tripé amoroso é completado por Nicolas (Niels Schneider), de uma beleza rara e cativante, seu personagem é o centro dos conflitos amorosos do filme. Utiliza frequentemente de sua aparência para manipular os personagens ao seu redor, se sente uma estrela, dotado não somente de beleza, mas também de uma inteligência, essa que o mostra como capaz de cometer o crime mais cruel, à ilusão afetiva a Marie e Francis.

Por fim, o filme requer uma paciência existencial como quase toda a maioria dos filmes ditos "cults", não espere um filme rápido, agressivo e de cenas fortes, é um drama do cotidiano na qual os personagens sangram com suas palavras é um sofrimento canceroso ao logo das cenas que vale a reflexão.




 

Contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Parceiros

Sobre nós

+

Facebook

Twitter